Tipologia dos Teatros
O que você pensa ao ouvir a palavra teatro? Provavelmente, sua mente é conduzida a um espaço cênico, guiada por um palco grandioso, contemplado por uma vestimenta nobre, fileiras centralizadas e uma plateia à espera do espetáculo. E você está correto! No entanto, esse estilo clássico é apenas uma das possibilidades do meio teatral acontecer na arquitetura. Afinal, existem diversas tipologias que transformam completamente a experiência teatral.
As primeiras manifestações teatrais estão ligadas a celebrações e práticas religiosas. Na Grécia Antiga, as festas dedicadas ao deus Dionísio reuniam música, dança e manifestações artísticas, cujo principal objetivo era interpretar diferentes personas e situações, nas quais, posteriormente, originarão o ofício da atuação.
E tal prática não se resumia à Grécia. Atualmente, há registros de manifestações na China Antiga, relacionadas ao budismo, que evidencia a representação de histórias, crenças e acontecimentos diante de uma plateia, e é uma prática que antecede a própria quinta arte.
No Brasil, antes da colonização, os povos indígenas já realizavam diversos rituais e práticas religiosas por meio de cerimônias que envolviam o canto, a representação, a dança e performances coletivas. Embora essas manifestações não possam ser compreendidas exatamente como o teatro ocidental, elas demonstram a existência de práticas cênicas e performáticas anteriores à chegada dos europeus.
No entanto, foi durante o período colonial que o conceito ocidental de teatro foi introduzido no território brasileiro, sobretudo por meio das encenações promovidas pelos jesuítas, que utilizaram o teatro como instrumento de catequização. Essas apresentações buscavam difundir a fé cristã e os valores culturais europeus entre os povos indígenas.
E foi a partir da chegada da família real, em 1808, que se contribuiu - de fato - para o desenvolvimento dos espaços de espetáculos. Em 1810, D. João VI reconheceu a necessidade de criar teatros no molde europeu. E, conforme a evolução da sociedade, novas frentes arquitetônicas foram sendo introduzidas, sendo as principais:
A tipologia mais tradicional - e comum - é a italiana, que se determina pela plateia (retangular, em leque ou ferradura), disposta frontalmente ao palco, classificado como retangular, diante de uma boca de cena (abertura na "parede" que divide o palco e plateia, sendo como o espectador visualiza o espetáculo). Apesar da distinção, a tipologia teatro de ópera é uma variante, que inclui um fosso de orquestra, entre o palco e a plateia.
No Teatro de Arena, invertemos os papéis e o palco vai para o centro e o público passa a cercá-lo. O espectador deixa de ter apenas uma visão frontal e pode acompanhar a ação de diferentes pontos de perspectiva.
Diferente dos citados anteriormente, a tipologia elisabetana se baseia em um palco misto, que funciona com um espaço fechado e retangular, com uma grande ampliação do proscênio (retangular ou circular). O público permanece nos três lados, com a visão geral.
No café-concerto, o espetáculo divide o espaço com o público de uma maneira informal. Mesas, cadeiras, música, apresentações e convivência acontecem próximos uns dos outros; É um formato que aproxima a experiência teatral de uma noite em que assistir também significa permanecer e compartilhar o ambiente ao redor.
A tipologia múltipla se baseia em espaço único, sem determinação fixa de locais e formas, dotado de equipamentos móveis para localização do público (arquibancadas e cadeiras) e de cena (praticáveis, módulo…), que permitem a montagem de diversas disposições de palco/plateia. Também pode ser chamado de espaço experimental.
E, através da compreensão de que os espetáculos não precisam permanecer no modelo tradicional, surge o teatro ao ar livre, no qual eleva a experiência teatral para o ambiente externo, em praças, jardins e parques, que comportam apresentações e manifestações artísticas.
Os Espaços Arquitetônicos Alternativos desempenham uma função de reinvenção dos ambientes, nos quais: um edifício, uma área industrial, um espaço histórico ou qualquer outro ambiente, pode se transformar em cenário para uma performance artística.
Os fundamentos do teatro começaram com o encontro de pessoas, reunidas por histórias. Séculos depois, continuamos fazendo exatamente o mesmo, apenas expandindo os horizontes nos quais as histórias são contadas. Então, lhe pergunto mais uma vez:
O que você pensa ao ouvir a palavra teatro?
Fonte: https://revistas.unipar.br/index.php/akropolis/article/view/472/430